Maria, de moeder die het woord op het kruis hoort.

A escuta contemplativa de Maria sob a cruz: Jo 19,25-27, a espada de Simeão (Lc 2,35) e a co-participação mariana na paixão
A passagem graciosa da fé em Jerusalém é repleta de mistérios. Jerusalém, a cidade da fé por excelência, simboliza a eleição divina e a aliança, experiências vividas na conjunção da graça e da fé. A fé de Jerusalém está inscrita na sua própria cidade: tem o mesmo nome (Filha de Sião), desempenha os mesmos papéis: ser esposa e mãe.Nas colinas do Gólgota em Jerusalém, Jesus completa sua Via Sacra, e Maria sua peregrinação de fé: “Somente esta, de fato, é a sua tarefa: ir de Nazaré ao Gólgota”. A Virgem, sob a Cruz, guarda em silêncio toda a existência do Filho. Ela silencia no Evangelho de Lucas no momento do seu nascimento e no Evangelho de João no momento da sua morte.Maria e o Silêncio Contemplativo
Nas horas supremas, Maria não grita em coro com os outros: “Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem” (Lc 23,34). Ela não questiona mais Jesus: “Filho, por que fizeste isso connosco?” (Lc 2,48), como havia feito ao perdê-lo e encontrá-lo no templo. Em vez disso, Maria escolhe silenciar, uma escolha teológica que transcende a sabedoria humana, e seu silêncio “consiste amorosamente na imolação da vítima que engendra”, conforme um texto do Concílio Vaticano II.> “Na vida pública de Jesus, Sua mãe aparece duma maneira bem marcada logo no princípio, quando, nas bodas de Caná, movida de compaixão, levou Jesus Messias a dar início aos Seus milagres… Assim avançou a Virgem pelo caminho da fé, mantendo fielmente a união com seu Filho até à cruz. Junto desta esteve, não sem desígnio de Deus (Jo 19,25), padecendo acerbamente com o seu Filho único, e associando-se com coração de mãe ao Seu sacrifício…” (Lumen gentium 58).Sob a Cruz, Maria Escuta Omnicompreensivamente
Maria sob a Cruz não se calou apenas; ela escutou. Os Evangelhos não lhe atribuem uma palavra, mas uma escuta total. Ao ativar a linguagem não-verbal da escuta, Maria ensina não só a virtude, mas também os critérios existenciais e as leis da história da salvação:1. Coragem: Não se foge do último inimigo (1 Cor 15,26). 2. Fidelidade: Nenhum homem é abandonado, muito menos um filho, no momento terminal. 3. Fé: Não se afasta da situação limite da morte porque não é o fim de tudo. 4. Consistência: Ao negar o encontro com a morte, nega-se o sentido da vida e o que foi realizado em termos de libertação e promoção. 5. Seriedade: Sob a Cruz Maria não discute, mas confia em silenciar a experiência de testemunhar a morte de seu Filho, com o que isso significa para ela. 6. Paciência: Sob a cruz Maria não reclama e não contesta aqueles que crucificam o Filho. 7. Paradoxo: No coração da Hora aceita o perdão como princípio de vida.Maria aparece, portanto, sob a Cruz como a “bela cordeira” ao lado do Cordeiro imolado. Ela que gerou a vítima pascal e que se ofereceu com ele. O cordeiro silencioso, ao lado do Cordeiro “que não abre a boca” (Is 53,7).As Sete Palavras de Jesus na Cruz e o Silêncio de Maria
Maria consumou sua experiência de discípula. Ela estava aos pés do Mestre, que agora subiu à cadeira mais alta do mundo, para escutá-lo até ao último suspiro. Assim escutou suas últimas sete palavras, com as quais marcou sua agonia messiânica:– “Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem” (Lc 23,34): Maria acolheu o perdão como lei da nova criação que nasce sob a árvore da Cruz. O movimento da peregrinação de fé de Maria tornou-se uma constante na descoberta do seu lugar na história da Salvação.O perdão cria uma interrupção entre os elos da cadeia lógica do pecado e do castigo correlato, introduzindo, no intervalo entre um e outro, a realidade recriadora e curativa da misericórdia. Maria está, consentindo e participando, no lugar onde se celebra o perdão como lei da aliança selada pelo seu sangue.Conclusão
O evento do Perdão da Cruz envolve a “Cordeira” na sua maternidade. Por isso, o perdão é uma realidade materna. Maria, em sua escuta contemplativa, ajuda a escrever a Palavra do perdão como lei da vida no céu da história da salvação. Sua maternidade virginal é comprometida com a confiança típica da mãe ao entregar-se ao Filho: arriscou totalmente a sua vida de Mãe na palavra e na ação do Filho, apesar da evidência contrária manifestada no fracasso da Cruz.Postgraduaat in Mariologie
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