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O exorcismo com o Rosário de São Domingos de Gusmão

São Domingos de Gusmão

São Luís Maria Grignion de Montfort (m. 1716) narra este episódio na vida de São Domingos de Gusmão (m. 1221). O Rosário como exegese das escrituras através de Maria. 

Enquanto pregava o Rosário nas proximidades de Carcassonne, São Domingos foi presenteado com um albigense possuído por demônios. O Santo, diante de uma multidão de mais de doze mil pessoas, ordenou aos demônios que dissessem quem dentre todos os Santos no Céu eles mais temiam e quem merecia mais amor e honra dos homens. A esta pergunta os espíritos infernais levantaram grandes gritos. Vendo a insistência do Santo e não querendo responder. Eles começaram a chorar e reclamar, esperando que tivesse pena deles, mas ele, impassível, não desistiu. Então eles responderam que dariam a resposta, mas em segredo, no ouvido e não na frente de todos. São Domingos manteve-se firme e ordenou que falassem em voz alta; todas as suas insistências, porém, foram inúteis e os demônios se fecharam em silêncio. Então o Santo ajoelhou-se e rezou a Nossa Senhora:

«Oh Virgem poderosa, Maria, em virtude do teu Rosário, manda a estes inimigos da raça humana que respondam à minha pergunta».

Imediatamente, após esta invocação, uma chama ardente saiu dos ouvidos, narinas e boca daquele homem possuído; os presentes tremeram de medo, mas ninguém foi ferido. Eles novamente imploraram ao Santo que não os atormentasse. Ele então, ainda de joelhos, rezou novamente à Santa Virgem:

«Ó digníssima Mãe da Sabedoria, rogo-vos pelas pessoas aqui presentes que já aprenderam a recitar corretamente a saudação angélica (a oração da Ave-Maria), obrigai estes vossos inimigos a proclamar em público a plena e clara verdade sobre o Rosário».

Após a oração, ele viu a Virgem Maria ao seu lado, cercada por uma multidão de anjos, que com uma vara de ouro golpearam o diabo e disseram: «Responde ao meu servo Domingos de acordo com seu pedido». Ninguém ouviu ou viu Nossa Senhora, exceto São Domingos. A este comando os demônios começaram a gritar: 

Ó nossa inimiga, nossa ruína e nossa confusão! Por que tu desces do céu com o propósito de nos fazer sofrer tanto? Ó advogada dos pecadores que os retiras do inferno, ou do caminho mais seguro para o céu, somos realmente obrigados, apesar de não querermos, a dizer toda a verdade? Devemos realmente confessar na frente de todos o que nos envergonhará e causará nossa queda? Ai de nós! É uma maldição eterna aos nossos princípios de escuridão! 

Bem, ouçam vocês cristãos: esta Mãe de Cristo é onipotente e pode impedir que seus servos caiam no inferno. E ela que, como um sol, dissipa a escuridão de nossas intrigas e artimanhas; é ela que frustra nossas aflições, desfaz nossas armadilhas e torna todas as nossas tentações inúteis e ineficazes. 

Somos obrigados a confessar a você que nenhum daqueles que perseveram em seu serviço está condenado conosco. Apenas um dos suspiros que ela oferece à Santíssima Trindade vale mais do que todas as orações, votos e desejos dos santos. Nós a tememos mais do que todos os bem-aventurados juntos e nada podemos fazer contra seus servos fiéis.

De fato, acontece que muitos cristãos que segundo as leis ordinárias seriam condenados, invocando-a à beira da morte, conseguem salvar-se por sua intercessão. Ah se esta Mariazinha – assim a chamavam por raiva – não se tivesse oposto aos planos e aos nossos esforços, já teríamos derrubado e destruído a Igreja e feito cair em erro e infidelidade todas as suas hierarquias, seus membros de toda ordem e grau! Proclamamos também, forçados pela violência a que nos acostumamos, que nenhum daqueles que perseveram na recitação do Rosário, seja condenado porque ela obtém sincera contrição de seus pecados de seus fiéis servos e eles recebem perdão e indulgência.

Obtida esta confissão, São Domingos fez com que os presentes rezassem o Rosário, devagar e com devoção. E aqui está o surpreendente! A cada Ave-Maria rezada pelo Santo e pelo povo, uma multidão de demônios em forma de brasas saíam do corpo daquele homem. Quando o infeliz estava completamente livre, a Virgem Santa, sempre invisível, abençoou o povo e todos sentiram uma alegria sensível e muito viva. Este milagre foi motivo de conversão para muitos hereges albigenses, que chegaram mesmo a fazer parte da confraria do Rosário.

Edição Locus

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