A proclamação do Credo, «Ele virá novamente na glória para julgar os vivos e os mortos», ecoa a dualidade da presença de Cristo: uma já consumada e outra aguardada em esplendor futuro. Este paradoxo, a salvação já realizada mas ainda não plenamente manifesta, reflete o “já e ainda não” da era da Igreja. Neste contexto, a figura de Maria assume um papel vital, não apenas como a mãe que introduziu Cristo ao mundo, mas também como uma presença ativa na preparação contínua para Sua segunda vinda. Maria, neste sentido, não é apenas uma figura do passado, mas uma presença dinâmica e ativa no advento permanente da Igreja.
A presença de Maria entre os povos ainda não alcançados por Cristo é um mistério profundo. Sua existência pré-encarnação e pré-Pentecostes destaca um papel único: estar onde Cristo ainda não é reconhecido. Esta presença mística de Maria, como a primeira redimida e membro precursor da Igreja, sugere que mesmo antes do advento explícito de Cristo e da Igreja, o reino de Deus já está em ação. Maria, portanto, prepara o terreno para a aceitação futura de Cristo entre aqueles que ainda vivem no “tempo do Advento“, um advento que ela mesma ajuda a moldar e definir.
A relação entre os pecadores e Maria revela uma dinâmica espiritual significativa. Em muitos casos, indivíduos e povos que se encontram distantes da fé cristã podem achar difícil se relacionar diretamente com Deus ou com a Igreja, mas encontram em Maria uma figura mais acessível. Isso sugere que Maria atua como uma presença preparatória, moldando o terreno espiritual para um eventual encontro com Cristo e a Igreja. A veneração de Maria em culturas não cristãs pode ser vista como um sinal precursor dessa aceitação futura.
Do ponto de vista dogmático, a missão de Maria pode ser vista através do conceito de graça preveniente. Maria atua como uma forma inicial de graça, preparando as pessoas e povos para a graça santificante que é encontrada plenamente em Cristo. Ela ocupa um papel único entre os povos que ainda não conheceram a fé cristã, preparando-os, de maneira misteriosa mas eficaz, para um futuro encontro com Cristo.
Para cada cristão batizado, a presença de Maria é igualmente significativa. Ela simboliza a espera contínua da Igreja pela plenitude da revelação de Cristo. Assim como Maria preencheu o intervalo entre a Ascensão e o Pentecostes, ela também ocupa o espaço espiritual entre o Pentecostes e a Parusia. Neste sentido, Maria não é apenas uma figura histórica, mas uma presença contínua que prepara os fiéis para a segunda vinda de Cristo.
Este olhar sobre a missão de Maria reafirma a profundidade e a complexidade de seu papel na história da salvação e na vida contínua da Igreja, uma presença que transcende as fronteiras do tempo e da geografia, alcançando todos os cantos da humanidade em sua espera pelo retorno de Cristo.
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