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Imaculada Conceição: celebração da digna morada de Deus

Estes são 10 temas de Mariologia que provém da liturgia da Imaculada Conceição

1 – A Imaculada Conceição só tem sentido em relação ao nascimento de Cristo. A celebração do advento, além de obedecer a razões de tempo, calculadas em relação à Natividade de Maria, insere-se neste período de preparação imediata, porque a Imaculada Conceição foi a última e imediata preparação para o evento da Encarnação do Filho de Deus. 

2 – Os preparativos divinos que continuaram ao longo dos milênios atingiram sua plenitude e perfeição final na singular Concepção da Mãe. Este é o ato preparatório mais carregado de conteúdo sobrenatural, assim como de significados salvíficos para o futuro. Em Maria, o Antigo Testamento atinge a sua plenitude e é concentrado para estar inteiramente à disposição do Messias. 

3- Maria foi preservada livre de qualquer mancha de pecado original. A Sagrada Escritura fala de um ato do homem que, no início de sua história, provocou uma ruptura nas relações sobrenaturais com Deus. Em sentido contrário, Maria foi preservada imune a essa deterioração. Desde o primeiro instante de sua Concepção, Ela se encontra em uma condição diferente, como nas origens, em um estado de natureza em perfeita ordem e equilíbrio interior, unidos a Deus por uma relação sobrenatural e misteriosa.

4- Maria não foi passiva na obra do Senhor, mas desempenhou um papel ativo, junto com seu Filho, na luta contra Satanás. Esta colaboração ativa deve ser sublinhada para que a celebração não perca um valor fundamental: Maria foi isenta do pecado e colaborou ativamente para a vitória do seu Filho sobre o pecado e o demônio. A oração coleta da Missa diz expressamente é expressa nestes termos: «concedei-nos, por sua intercessão, a graça de chegarmos purificados junto de Vós». 

5 – Se Maria foi isenta do pecado original e foi desejada pelo Filho uma “morada digna” de Deus, deve necessariamente pressupor nela uma experiência original do amor de Deus, que se manifesta de modo único. É Deus quem, por meio de seu anjo, revela a Maria as disposições divinas e seus destinos. De fato, falando com ela, o anjo a saúda como “cheia de graça”.

6 – Maria é a expressão plena do desígnio amoroso de Deus de reconduzir a criação à sua origem, tornando-a a mais amável e atrativa das criaturas: aquela na qual Deus poderá colocar livremente a sua morada. A Imaculada Conceição é celebrada pela Igreja como o triunfo da graça de Deus no mundo. 

7 – A Imaculada é também a alegria que nela suscita o estado de totalmente plena por Deus: ela é a primeira a experimentar a graça divina, ela é a primeira a experimentar a alegria divina que é messiânica e que será comunicada ao mundo precisamente por ela. A celebração eucarística começa com as palavras que Isaías põe nos lábios da Jerusalém dos novos tempos: Alegro-me muito no Senhor e que a liturgia põe nos lábios de Maria. Por que essa grande alegria? Porque Deus a vestiu com as vestes da salvação e as vestes da justiça

8 –  Assim, preservada do pecado original em virtude dos méritos de Cristo, a liturgia não poderia deixar de evidenciar e celebrar a obra redentora de Cristo, a eficácia dos seus méritos, a capacidade transformadora da graça por ele merecida. Assim, a Igreja, ao celebrar a Imaculada Conceição de Maria, celebra antes de mais a Páscoa de Cristo, a sua vitória total sobre o pecado e o demónio. E também por isso, pela perfeição e grandeza da redenção operada em Maria, a celebração da Imaculada Conceição é um verdadeiro motivo de alegria e fonte de esperança para toda a humanidade necessitada da salvação da parte de Cristo.

9 – Quase moldada pelo Espírito Santo este é um tema que proclama a obra de Deus nela, mas sem pretender dar descrições. A ação do Espírito ao longo da vida de Maria, mas particularmente na sua Conceição, foi um momento culminante na história da salvação. Não é possível celebrar tão admirável obra divina sem contemplar e engrandecer a misteriosa ação do Espírito Santificador. 

10 – “Nela iniciastes a Igreja”, esta expressão no prefácio da solenidade destaca a dimensão eclesial da Imaculada Conceição de Maria: Nela iniciastes a Igreja, Esposa de Cristo, sem mancha nem ruga, resplandecente de beleza. A Imaculada Conceição é o início da Igreja por muitos motivos: em primeiro lugar porque com aquela intervenção divina começa a nova economia da graça e do reino. Assim termina a história do antigo povo de Israel e começa a do novo Israel, a Igreja. Maria é o primeiro membro em ordem cronológica. Mas Maria é o princípio da Igreja também porque ela encarna plenamente as suas realidades mais vitais, como a redenção do pecado e o dom da plenitude da graça. Ela ocupa o primeiro lugar na Igreja e também o mais eminente, pela plenitude da graça e pela missão única. 

Edição Locus

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