Medjugorje e a ciência: o que os exames médicos mediram

Estudos científicos, médicos e psicológicos de Medjugorje

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Aucun d’entre eux n’apporte, et même de nouveaux tests ne pourraient apporter la preuve scientifique que la Vierge apparaît aux voyants de Medjugorje.
«Nenhum deles traz, e nem novos testes poderiam trazer, a prova científica de que a Virgem aparece aos videntes de Medjugorje» (JOYEUX e LAURENTIN, 1985, p. 94)

Desde junho de 1981, seis jovens de Medjugorje, na atual Bósnia-Herzegovina, dizem ver Nossa Senhora. Como as aparições relatadas aconteciam diariamente e a hora fixa, foi possível fazer ali o que raramente se fez em outros casos: medir com aparelhos o que se passa com os videntes enquanto dizem ver. Esses estudos interessam a quem quer entender Medjugorje, desde que se saiba o que mediram e o que não podem provar. A posição da Igreja sobre o caso está exposta em Medjugorje: as aparições de 1981 e o que a Igreja disse.

Os primeiros exames

Entre 1982 e 1983, o psiquiatra Ludvik Stopar, de Maribor, esteve quatro vezes em Medjugorje. Hipnotizou a vidente Marija Pavlović, sem lhe pedir licença, e concluiu que o relato dela sob hipnose coincidia com o relato consciente, o que, a seu ver, excluía a simulação (JOYEUX e LAURENTIN, 1985, p. 145-150). O próprio René Laurentin, que acompanhava o caso e lhe era favorável, considerou o teste contestable en son principe, «contestável em princípio», embora escrevesse que ele confirmara a absoluta sinceridade da jovem. Sob hipnose, Marija chegou a revelar um dos segredos que dizia ter recebido (LAURENTIN, 1986, p. 142). Stopar, por sua vez, recusava chamar «êxtase» ao estado dos jovens, por não haver neles uma desconexão total do mundo exterior (JOYEUX e LAURENTIN, 1985, p. 150).

A equipe de Montpellier (1984)

Em 1984, depois de um contato com Laurentin, que procurava médicos para estudar o caso, uma equipe médica francesa dirigida pelo professor Henri Joyeux, cirurgião e cancerologista de Montpellier, fez quatro missões a Medjugorje e estudou cinco videntes. Os jovens recusaram de início os aparelhos e só os aceitaram depois de dizerem que a Virgem o permitira (JOYEUX e LAURENTIN, 1985, p. 27-28). As condições eram precárias, com aparelhos portáteis (LAURENTIN e SBALCHIERO, 2007, p. 1214), e um dos dois aparelhos de eletroencefalograma, que talvez tivesse sofrido com a viagem, não funcionou (JOYEUX e LAURENTIN, 1985, p. 28). O relatório médico descreve dois eletroencefalogramas, o de Ivan em junho e o de Marija em outubro, o movimento dos olhos de dois videntes ao mesmo tempo, os potenciais evocados auditivos e o ritmo cardíaco.

Os médicos descrevem os resultados assim: nenhum sinal de sono, de sonho ou de epilepsia no traçado, um ritmo alfa próprio de uma vigília tranquila, nenhuma reação de Ivan a um som de 90 decibéis, o reflexo de piscar inibido, e a interrupção quase simultânea dos movimentos dos olhos de dois videntes no início e no fim da aparição. O exame clínico não encontrou sinais de alucinação, histeria, neurose ou catalepsia (JOYEUX e LAURENTIN, 1985, p. 75-92).

O que o estudo diz de si mesmo

As conclusões dos médicos são mais modestas do que o eco que tiveram. Escrevem que o fenômeno se révèle être inexplicable scientifiquement, «revela-se cientificamente inexplicável», e que nenhum parâmetro estudado mostrou alteração patológica (JOYEUX e LAURENTIN, 1985, p. 96). Mas reconhecem também que os seus testes não são exaustivos e que nenhum deles poderia provar que a Virgem aparece (p. 94). Quanto à questão decisiva, se a visão é objetiva ou subjetiva, admitem que les tests ne donnent pas de réponse certaine, «os testes não dão resposta certa», e que algumas observações apontavam num sentido e outras no outro (p. 94). Laurentin resume o limite: os testes n’atteignent que le récepteur et non l’émetteur, «só atingem o receptor e não o emissor», isto é, os videntes e não aquela com quem dizem comunicar (LAURENTIN e SBALCHIERO, 2007, p. 37).

A amostra era pequena: dois eletroencefalogramas, um deles cheio de interferências. O verbete «Medjugorje» do Dicionário dirigido por Laurentin afirma que os exames puseram fim à tese do médico Jean-Martin Charcot (1825-1893), que via nas aparições um fenômeno histérico (LAURENTIN e SBALCHIERO, 2007, p. 1214). O que os dados permitem dizer é mais simples: nos jovens testados, não se encontrou patologia.

Os estudos seguintes

Médicos italianos fizeram novos testes em março e setembro de 1985, publicados em 1986 no Dossier scientifico su Medjugorje de Frigerio, Mattalia e Bianchi, que segundo Laurentin confirmaram e completaram o trabalho francês. Em 14 de janeiro de 1986, as equipes francesa e italiana reuniram-se em Milão e redigiram dez conclusões médicas e dez teológicas, que foram transmitidas ao papa João Paulo II (LAURENTIN, 1986, p. 143-147). Em 1998 (ou em 1997, segundo Gaeta, 2020, p. 154), um grupo ligado ao padre Andreas Resch aplicou aos videntes numerosos testes psicológicos, mas nenhum eletroencefalograma (LAURENTIN e SBALCHIERO, 2007, p. 1215). Segundo o mesmo verbete, os videntes, sobretudo Jakov e Vicka, recusaram sempre os exames eletrônicos mais aperfeiçoados que Joyeux e Laurentin propunham, por não quererem ser tratados como cobaias (LAURENTIN e SBALCHIERO, 2007, p. 1215). Em 25 de junho de 2005, segundo a síntese histórica publicada em apêndice por Gaeta, o neurologista francês Philippe Loron fez nova investigação, com registro da atividade cerebral, e excluiu de novo qualquer doença (GAETA, 2020, p. 155).

As curas

A paróquia registrou centenas de relatos de cura, 291 até outubro de 1986 (LAURENTIN e SBALCHIERO, 2007, p. 1215). O próprio Laurentin escreveu, em 1985, que era prematuro chamá-las de milagrosas (JOYEUX e LAURENTIN, 1985, p. 127-130), e a comissão internacional presidida pelo cardeal Camillo Ruini, segundo o relatório publicado por Saverio Gaeta, observou que nenhuma delas recebeu reconhecimento canônico (GAETA, 2020, p. 61).

O que a Igreja pede aos exames médicos

As Normas do Dicastério para a Doutrina da Fé de 17 de maio de 2024 pedem que a comissão de inquérito do bispo inclua um perito, por exemplo um médico psiquiatra, e que, na avaliação, se respeite o exame técnico-científico do fenômeno, quando tiver sido feito (DICASTÉRIO PARA A DOUTRINA DA FÉ, 2024b, art. 8 e 17). Nesse quadro, o exame médico ajuda a excluir a doença, mas não prova a origem sobrenatural. A Nota La Regina della Pace, de 19 de setembro de 2024, que concede o nihil obstat à experiência espiritual de Medjugorje, não cita nenhum destes estudos: baseia-se nos frutos espirituais e na análise das mensagens, e adverte que non sono fedeli al vero spirito di Medjugorje, coloro che sono troppo attenti a fatti straordinari e a presunti messaggi della Gospa […], «não são fiéis ao verdadeiro espírito de Medjugorje os que estão atentos demais a fatos extraordinários e a supostas mensagens da Gospa […]» (DICASTÉRIO PARA A DOUTRINA DA FÉ, 2024a, ¶ 34).

Os exames de 1984 e os que se seguiram documentam, com seriedade, que os jovens estudados não apresentavam sinais de doença. É um dado relevante. Mas não demonstra a origem das aparições, e os próprios médicos o disseram.

Referências

DICASTÉRIO PARA A DOUTRINA DA FÉ. «La Regina della Pace»: Nota circa l’esperienza spirituale legata a Medjugorje. Roma, 19 set. 2024a. Boletim da Sala de Imprensa da Santa Sé, 19 set. 2024. Disponível em: https://press.vatican.va/content/salastampa/it/bollettino/pubblico/2024/09/19/0704/01411.html. Acesso em: 28 out. 2026.

DICASTÉRIO PARA A DOUTRINA DA FÉ. Norme per procedere nel discernimento di presunti fenomeni soprannaturali. Roma, 17 maio 2024b. Disponível em: https://www.vatican.va/roman_curia/congregations/cfaith/documents/rc_ddf_doc_20240517_norme-fenomeni-soprannaturali_it.html. Acesso em: 28 out. 2026.

GAETA, Saverio. Dossier Medjugorje. Cinisello Balsamo: San Paolo, 2020.

JOYEUX, Henri e LAURENTIN, René. Études médicales et scientifiques sur les apparitions de Medjugorje. Paris: O.E.I.L., 1985.

LAURENTIN, René. Récit et chronologie des apparitions de Medjugorje. Paris: O.E.I.L., 1986.

LAURENTIN, René e SBALCHIERO, Patrick (dir.). Dictionnaire des «apparitions» de la Vierge Marie. Paris: Fayard, 2007.

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