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Deus em forma de Criança

Tempo de leitura: 3 minutos

Iremos nesses próximos dias trazer alguns textos de Natal do grande teólogo Hans Urs von Balthasar, com certeza imperdíveis.

Já pensou que Deus enviou sua Palavra eterna ao mundo na forma de uma criança?

Em primeiro lugar, precisamos entender o que Deus quer nos dizer com esta nova forma de falar. Certamente, como sempre acontece através de sua Palavra, Ele diz algo sobre si mesmo. Em tudo que essa criança é e em tudo o que ele se tornará, como um jovem, como um homem, como um professor e “feitor” de milagres, como aquele que se cala perante o juiz, como flagelado, desprezado, rejeitado, como aquele que grita no abandono de Deus na cruz, como o morto e sepultado, como aquele que vive nova e eternamente entre os mortos: em tudo isso está a Palavra que Deus que diz, e ele diz – realmente – sobre si mesmo. Se Deus é a verdade por antonomásia, então necessariamente cada palavra que nos diz e que vem do centro da verdade deve ser também uma declaração sobre Ele. Se Ele é bom por antonomásia, então se doa a nós em todas aquelas palavras que representam vida e paixão, morte e ressurreição de Jesus. E se Ele é a beleza por excelência, então a verdade e o bem que ele nos diz e nos dá é sempre também uma realidade maravilhosa no mais alto grau.

A Virgem Maria e o Menino Jesus (1565) de Luis de Morales | Tela para  Quadro na Santhatela

Então, sendo Deus uma criancinha, Ele diz: em toda a minha onipotência, que realmente sou e possuo, sou ao mesmo tempo tão pobre e humilde e digno de confiança assim como essa Criança, ainda mais, não só «como», Sou realmente esta criança. E quando Jesus vai ensinar mais tarde, vai falar do último lugar que alguém tem que se colocar, do servir, dar a vida pelos irmãos; e isso não só como ensino moral para os homens, mas como algo que Ele mesmo é e percebe, como uma manifestação do coração de Deus, de seu pai. Faça isso, pois é assim que Deus é! E agora o terrível. Quando Jesus sofre pelos pecadores e leva o pecado sobre si, ele não sente mais o Pai e clama como quem é abandonado, como quem morre com sede de Deus: novamente, Deus também! “Deus amou muito o mundo”, diz a Boa Nova, “Que deu seu único filho por ele” até que ele alcançou o estado de abandono – atemporal – de Deus. E quando Jesus se distribui como comida e bebida: Deus é assim! Sim, é o Pai que nos oferece esta palavra e esta carne de Deus – sangrento, rasgado, dilacerado pelos homens – como uma participação em sua vida eterna. E quando o coração de Jesus é perfurado e transformado em um buraco esvaziado naquele que pode colocar o dedo e, com ele, todo o homem – “Esconde-me nas tuas feridas” -: Deus é assim! Uma ferida que alcança o seu coração, e no qual somos curados.

Dizer tais coisas não é um exagero, mas uma simples sensação de meditação cristã com o mistério do Natal. A Palavra de Deus se torna carne: carne que tira do seio da Mãe, que depois luta pela vida, que deve sofrer horrores e morrer, mas que em todos os seus estados e situações é a Palavra de Deus e em todas elas nos diz algo da essência de Deus.

Em conclusão: nós adoramos a carne? Não, nós apenas adoramos a Deus. Deus que é o único que certamente não somos, Deus, o totalmente-Outro, o próprio Ser, o Todo-Poderoso. Mas aquele que teve o prazer de nos mostrar que é onipotente o suficiente para ser também impotente, que é abençoado o suficiente para também sofrer, glorioso o suficiente para ser capaz colocar-se no lugar mais baixo de sua criação. E Deus não não age “como se”: como se fosse humilde e pobre e uma criança, Ele É.

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