CREDO OU SÍMBOLO APOSTÓLICO FALA DE MARIA?

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CREDO OU SÍMBOLO APOSTÓLICO FALA DE MARIA?

O primeiro e mais importante testemunho de fé na literatura é simultaneamente o mais desconhecido, isto é o Símbolo Apostólico.

Símbolo que era proveniente dos Apóstolos e cada Igreja conservava um formulário que continha breves preposições ou artigos que colocavam junto, conservavam, colocavam próximos as verdades da fé: Sunbalein = unir com em grego.

Apostólico não porque os Apóstolos tenham escrito a fórmula e entregue a cada uma destas Igrejas mas porque a traditio apostolica está presente em todas as acentuações, lugares e circunstâncias que levaram a criar no tempo as respostas dogmáticas às interrogações.

Portanto quando dizemos Símbolo Apostólico estamos falando do testemunho de Padre da Igreja como Inácio de Antioquia, Justino, Ireneu de Lião, Tertuliano, Orígenes entre outros nos deixaram…

Só no ano 325 é que no Concílio de Nicéia é que foi redigido um símbolo comum de fé, carta de reconhecimento e norma para todas as Igrejas: símbolo composto pelos antigos símbolos apostólicos, com acrescentos dogmáticos devidos à heresia ariana: Símbolo Niceno.

Por arianismo se entende a heresia que negava a divindade de Jesus concebendo-o como um intermédio entre Deus e Homem.

No Concílio de Constantinopla em 381 foi novamente colocado por escrito e de forma universalmente aceito por todas as Igrejas o símbolo constantinopolitano que ampliou o anterior e que deu origem ao símbolo niceno-constantinopolitano.

Todos os símbolos de fé contêm uma profissão explícita na encarnação, explicitando a concepção virginal de Maria, no sentido da história da salvação que através da virginal e divina maternidade garante que o Filho seja Deus porque Unigênito do Pai. E esta é a primeira etapa da salvação: a encarnação do Verbo.

Dos vários símbolos, sublinhamos que aqueles provenientes do oriente afirmam a geração de Cristo «a partir de Maria a Virgem» não dizendo nada sobre o Espírito Santo porque era implícito na afirmação confessando Maria como a Virgem portanto se era Virgem e Mãe isto era fruto do Espírito Santo.

 Outro dos símbolos também no oriente grego fala da concepção virginal descrevendo-a «a partir (ek) Maria Virgem por meio (dia) do Espírito Santo», ou seja a geração de Cristo apenas a partir da Virgem mas com a obra do Espírito Santo e para reforçar ainda mais a singularidade alguns símbolos vão acrescentar sem semente masculina!

A fórmula latina «qui natus est de Spiritu Sancto ex Maria Virgine» portanto nascido por obra do Espírito Santo de Maria Virgem encontra o seu testemunho mais antigo em Roma, Milão e Norte da África focalizando-se sobre a geração e não a concepção.

 Mais tarde, um último grupo de símbolos ocidentais codificaram as fórmulas de fé ligando concebimento e nascimento ao Espírito Santo e a Maria Virgem: «qui conceptus est de Spiritu Sancto, natus ex Maria Virgine». Esta fórmula explica ao mesmo tempo a concepção virginal e a real maternidade de Maria.

Destes símbolos nós podemos concluir que foram conservados e transmitidos a todas as Igrejas, que a concepção de Cristo a partir da Virgem Maria por obra do Espírito Santo faz parte da fé universal e perpétua da Igreja. 

«que nasceu do Espírito Santo e de Maria Virgem»

Símbolo Romano – III século

«que se fez homem»

Símbolo de Jerusalém – primeira metade do IV séc.

«para nossa salvação ele se encarnou e viveu entre os homens»

Símbolo de Cesareia da Palestina – final do III séc.

No símbolo da fé de Nicéia em 325 d.C. a Virgem Maria não é mencionada muito menos a ação do Espírito Santo. 

No texto da formulação da fé do Concílio de Constantinopla I (381), porém, ela é mencionada de forma soteriológica:

“por nós e para a nossa salvação ele [o Filho] desceu do céu, encarnou-se por [de] do Santo Espírito da [ex] Virgem Maria (parthenon)”

Se do texto grego fica claro que os atores da Encarnação do Verbo são o Espírito e a Virgem Maria, do texto latino notamos o uso do pronome de para o Espírito Santo. Indica que ele é a “causa originária” da concepção no seio de Maria, a qual oferece a “carne” a Cristo. Já aqui podemos ver como os Padres conciliares se interessaram em evidenciar a realidade humana de Cristo, por um lado, e por outro lado, a modalidade de concepção que se realiza “sem a semente do homem”.

O Concílio de Éfeso (431), por outro lado, limita-se a reconhecer a Sempre Virgem (agion parthenon) relacionando-a com o título de Theotokos.

Os padres conciliares tiveram a coragem de reconhecer a Theotokos como:

«a Virgem Santa […], não porque a natureza do Logos, isto é, sua divindade, passou a existir a partir da Virgem Santa […], mas porque o santo corpo racionalmente animado foi gerado por Ela, unindo-se a este segundo a hipóstase, dizemos que o Logos foi gerado segundo a carne».

Isso também é o que o Concílio de Calcedônia reconheceu (451). Este declarou que o nascimento do Filho de Deus, verdadeiro Deus e verdadeiro homem, ocorreu de (ex) Maria, virgem (partenon) e Mãe de Deus. O II Concílio de Constantinopla (553), em seus 14 anatematismos, reafirmará esta verdade. Os números onde isso é afirmado são: 2, 6,14. Neles, Maria é chamada de Sempre Virgem (aeiparthenon).

Em tudo isso, o dogma afirmado no Concílio de Latrão I (1123) é fundamental para nossas pesquisas. Ela declara que Maria “concebeu” e veio para “dar à luz” de maneira virginal o Filho do Deus Eterno, Jesus Cristo. Aqui, o Concílio representa a verdadeira maternidade da Theotokos em sua “plena” integridade. Tudo isso tem um sentido: dirigir a profissão de fé Àquele que nasceu de seu ventre, Jesus. Ele veio ao mundo com um caráter “prodigioso”, pois todas as leis da natureza estão suspensas em favor da integridade virginal da mãe.

Estamos diante de um misterioso “fato” que celebra a concepção e o nascimento em favor da integridade de uma mulher, Maria, que se chama Sempre Virgem. Este título pode “ser aplicado diacronicamente a todos os momentos de sua vida, e sincronicamente a toda a estupenda realidade de sua virgindade, pela qual também é chamada: αχραντος (impecável, sem mácula)”. Notamos que o título de Sempre Virgem deve ser considerado como um “denominador comum” que vem documentar a verdade afirmada e confessada pela concepção virginal e pelo nascimento de Maria Santíssima.

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