Sim, alegramo-nos de chamá-la bem-aventurada. Porém, estamos também obrigados a sintonizar-nos com ela e a reviver em nós, na medida do possível, o modo como ela se abriu, na fé e na pobreza, a Deus, para receber Jesus Cristo e, com ela, tornarmo-nos povo novo reconciliado, isto é, tornarmo-nos Igreja para o mundo. É preciso meditar detalhadamente estes pontos: devemos dizer o Magnificat não apenas com a voz, mas também com a vida, sobretudo com a vida.
Abrir-nos, com Maria, a Cristo, no qual Deus nos reconcilia consigo. O que isso importa espiritualmente?
Antes de tudo, ver a realidade histórica, tanto total quanto pessoal, na visão bíblica. Deus conduz a história e é necessário ter fé em Deus: crer em Deus, crer em Deus.
Crer em Deus. Não creio que se deva falar aqui de ateísmo por princípio: ele deve ser rejeitado. Quem adere a tal ateísmo nem sequer imagina de longe a possibilidade de sintonizar-se com Maria; para ele, Maria é, no máximo, uma simples mulher como qualquer outra. Mas existe um certo agnosticismo prático que pode tocar também quem é cristão. O secularismo, hoje tão difundido, pode favorecer esse agnosticismo: vive-se como se Deus e Cristo não existissem. No máximo, recorre-se a Cristo em casos-limite, como quando a morte está prestes a pôr termo à nossa história. Nesses casos, podem existir formas de recurso a Cristo e aos santos que têm algo de mágico. É preciso muito mais do que isso. Mas a misericórdia de Deus, ao reconciliar o homem, não tem limites.
Crer em Deus. Isabel disse a Maria, aludindo à sua fé: «Bem-aventurada aquela que acreditou que tudo o que lhe foi dito se cumprirá». Além de crer em Deus, é preciso crer também na Palavra de Deus, pôr nele a confiança e regular-se segundo a Palavra de Deus.
Este é um comportamento fundamental e decisivo para a reconciliação. Jesus, na sua pregação, afirmou continuamente a necessidade dessa fé em Deus. Recordo dois momentos dessa doutrina: uma vez, quando fala da reconciliação; outra vez, quando fala implicitamente, precisamente, de Maria.
Da reconciliação como conversão de toda a pessoa a Deus, Cristo falou, como nos diz o Evangelho de Marcos, justamente ao iniciar a sua pregação: (Mc 1, 14-15) «Depois que João foi preso, Jesus foi para a Galileia e pregava o evangelho do Reino de Deus, dizendo: o tempo já chegou à sua plenitude, o Reino de Deus está próximo; convertei-vos e crede no evangelho».
Os exegetas notam que, na prática, o evangelho era o próprio Cristo. E deve-se notar também que Jesus faz um apelo direto ao tempo, kairós, como momento intensivo e máximo da história da salvação, que coincide com o momento do chamamento do povo de Deus à reconciliação. Mas o povo não creu, exceto o pequeno «Resto», como ele mesmo dirá: (Lc 10, 21) «Eu te louvo, Pai, Senhor do céu e da terra, porque escondeste estas coisas aos sábios e inteligentes e as revelaste aos pequeninos».
Os sábios e os inteligentes aqui são aqueles que, em vez de converterem a si mesmos segundo a Palavra de Deus, convertem a Palavra de Deus e o próprio Cristo a si mesmos, segundo as próprias categorias e modelos culturais. E também aqui é preciso notar como Jesus exalta a fé dos «pobres de YHWH», que constituíam o «Resto» de Israel, aqueles que estavam a tornar-se o verdadeiro povo novo de Deus. Eles criam no evangelho e mudavam a mentalidade: abriam-se à reconciliação que Deus operava em Cristo.
Outra vez, Jesus fez referência a essa fé na Palavra de Deus, crida com fidelidade, aludindo implicitamente à fé de Maria. Conheceis o episódio. Escreve São Lucas: (Lc 11, 28) «Enquanto Jesus falava, uma mulher, do meio da multidão, levantou a voz e disse: Bem-aventurado o ventre que te trouxe e o seio que te amamentou. Mas Jesus disse: Bem-aventurados, antes, os que ouvem a Palavra de Deus e a guardam».
Isto é, guardam-na na sua autenticidade, meditando-a e realizando-a. Esse era o modo de Maria, como diz o mesmo Lucas: meditar sobre os acontecimentos de Jesus, carregados de ensinamentos, e sobre as suas palavras: (Lc 2, 19) «Maria, por sua parte, conservava todas essas palavras e acontecimentos, meditando-os no seu coração».
Para nos abrirmos, com Maria, a Cristo, no qual Deus nos reconcilia consigo, além de sintonizar-nos com a fé de Maria, é necessário que também nós nos façamos pequenos, simples. É preciso que também nós, na medida do possível, possamos dizer com Maria: Deus pousa o olhar sobre a nossa condição humilde, sobre a nossa pobreza aceita, longe de qualquer véu de orgulho, de autopossesso egoísta, de ostentação, contentes de ser preteridos, fazendo do silêncio a nossa palavra habitual.
Todo o Evangelho fala do silêncio de Maria. Ela deixa que as outras mulheres sirvam Jesus e lhe deem do que é seu, como nos atesta o próprio Lucas (Lc 8, 3).
Recordo aqui uma reflexão que, há cerca de quarenta anos, fez numa conferência o advogado Carnelutti. Ele dizia: qual terá sido a dor íntima de Maria quando ouviu que Jesus dissera a quem queria segui-lo: (Lc 9, 58) «As raposas têm as suas tocas e as aves do céu os seus ninhos, mas o Filho do Homem não tem onde reclinar a cabeça». Para uma mãe, não poder dar uma morada ao filho é grande dor. Ora, essa dor ela aceitou no seu estado de pobreza, de necessidade, não tanto material quanto espiritual: Respexit humilitatem ancillae suae. E a causa desse isolamento do Filho, e portanto da sua impossibilidade de ter uma casa, era a discriminação a que os responsáveis de Israel condenavam os pobres, os simples, o «Resto», do qual Maria fazia parte com o seu Filho.
É possível hoje, no nosso tempo, um estado de discriminação de quem quer ser fiel à Palavra de Deus, à amizade com Deus? Não apenas é possível, mas existe e torna-se cada vez mais vasto e pungente. Grande é a multidão daqueles que se encontram na condição de ter de viver em si as Bem-aventuranças proclamadas pelo Senhor.
Certamente Deus não quer que existam discriminações: quer que todos os homens digam: Pai nosso que estais nos céus, e que sejam todos irmãos. Certamente ele encoraja e recompensa aqueles que trabalham para que as discriminações cessem. Mas, de fato, a “pobre gente” que deve sofrer por ser ridicularizada pela própria honestidade, como se fosse gente incapaz, essa gente existirá sempre, por malícia dos homens. Por isso, é preciso ter sempre a coragem de manter a fidelidade à verdadeira honestidade, mesmo quando se está em condição de discriminação, de pobreza socialmente desprezada. Este é um discurso difícil de fazer hoje. Domina e torna-se cada vez mais insistente uma cultura que prega e impõe uma conversão contrária à conversão pregada por Cristo. Mas, apesar de tudo, é preciso ser fiel a Cristo e pregar a verdadeira conversão, a verdadeira reconciliação, sem violência, no estilo próprio de Cristo e de sua Mãe.
Uma terceira coisa é necessária para nos abrirmos, com Maria, a Cristo, no qual Deus nos reconcilia consigo: conhecer e reconhecer Jesus. E a razão mais decisiva que aqui nos interessa é esta: somente Jesus pode revelar-nos quem é Deus, somente Jesus pode ajudar-nos a reconciliar-nos com Deus.
O Prólogo do Evangelho de João termina com esta afirmação: (Jo 1, 18) «A Deus ninguém jamais viu. O Filho único, que está voltado para o seio do Pai, esse o revelou».
O mesmo Evangelho de João narra que Jesus, na última ceia, ao apóstolo Tomé que lhe dissera: «Senhor, não sabemos para onde vais», respondeu: (Jo 14, 5-7) «Eu sou o caminho, a verdade e a vida. Ninguém vai ao Pai senão por mim. Se me conhecêsseis, conheceríeis também meu Pai. Agora vós o conheceis e o vistes».
O apóstolo Filipe deve ter pensado que, apesar de tudo, não parecia que eles viam o Pai. Por isso, disse a Jesus: «Senhor, mostra-nos o Pai, e isso nos basta». Jesus respondeu: (Jo 14, 8-10) «Filipe, há tanto tempo estou convosco e tu não me conheces. Quem me viu, viu o Pai. Como, então, dizes: Mostra-nos o Pai? Não crês que eu estou no Pai e que o Pai está em mim? As palavras que vos digo não as digo por mim mesmo. O Pai, que permanece em mim, realiza as suas obras».
Estas últimas afirmações são a chave para compreender o discurso do Senhor: todas as palavras que ele disse e todas as obras que fez são palavras e obras do Pai, em Cristo, seu ministro, em plena união de vida. Isto significa que o livro para conhecer Deus Pai, que nos reconcilia consigo, é o Evangelho. Cada página do Evangelho fala de Deus Pai. Cada obra de Jesus é obra do Pai.
Que é, então, a vida de Jesus? Ele mesmo o diz, falando com Nicodemos: é a manifestação do amor de Deus Pai pelo mundo: (Jo 3, 16) «Deus amou tanto o mundo, que deu o seu Filho único, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna».
Ser libertado da perdição, ter a vida eterna, que é a própria vida de Deus, não é outra coisa senão a obra da reconciliação. «Deus foi quem reconciliou consigo o mundo em Cristo, não imputando aos homens as suas culpas», já nos disse Paulo (2Cor 5, 19).
Qual foi a conduta de Jesus para com os pecadores? Diz o Evangelho de Lucas: (Lc 15, 1-2) «Os cobradores de impostos e os pecadores aproximavam-se dele para o ouvir. Os fariseus e os doutores da lei murmuravam, dizendo: Este acolhe pecadores e come com eles».
E, depois de dizer estas palavras, falou do pastor que vai à procura da ovelha perdida e depois do pai do filho pródigo. São as páginas que, há dois mil anos, revelaram ao mundo quem é o Deus de Jesus Cristo, para o qual, embora o mundo esteja contaminado pelo pecado, o homem ainda pode esperar ser perdoado e recuperar a amizade com Deus.
Ainda uma reflexão sobre este ponto tão importante, que revela até onde chegou a misericórdia de Cristo ao reconciliar o pecador com Deus. Evoco um momento solene dessa reconciliação, no qual também Maria estava presente, intimamente unida ao Filho naquela hora. Refiro-me à conversão do ladrão arrependido na cruz, ao lado de Jesus.
Disse que é necessário conhecer e reconhecer Jesus para conhecer Deus, que vem a nós para nos reconciliar e abrir-nos a ele. Observemos a conduta do ladrão que depois se arrepende. Quando chegou arrastado ao Calvário, não conhecia Jesus. E é difícil pensar que estivesse religiosamente preparado, ainda que a afirmação de Marcos, de que ambos os ladrões insultavam Jesus (Mc 15, 32), estenda aos dois o que era somente do ladrão impenitente, como pensam alguns exegetas. Ele, portanto, ainda que sofrendo na cruz, é tocado pela conduta de Jesus, começa a conhecê-lo, confronta a sua própria conduta com a de Jesus, arrepende-se, abre-se a Deus que vem a ele com o seu amor. Eis o arrependimento e a oração: «Lembra-te de mim no teu Reino». E Jesus lhe dá a sua amizade e a do Pai, abrindo-lhe o seu Reino: (Lc 23, 39-43) «Hoje estarás comigo no Paraíso».
E Maria está ali, sofrendo e rezando.
O Evangelho de João diz-nos que, na tarde do dia de Páscoa, Jesus ressuscitado, enquanto os apóstolos estavam fechados em casa por medo, veio com as portas fechadas e foi grande a alegria dos apóstolos. Depois, Jesus deu-lhes pela segunda vez a paz, soprou sobre eles e disse: (Jo 20, 21-23) «Recebei o Espírito Santo. Àqueles a quem perdoardes os pecados, ser-lhes-ão perdoados; àqueles a quem os retiverdes, ser-lhes-ão retidos».
Assim, como afirma o Concílio de Trento, ele instituiu o sacramento da reconciliação penitencial.
Note-se como, tanto o último ato de Jesus na cruz quanto o primeiro ato como Ressuscitado, é a reconciliação com o perdão dos pecados. E é preciso notar também que, ao comunicar o Espírito Santo aos apóstolos, ele sublinha qual deve ser o verdadeiro dinamismo que gera na alma a vida nova, apagando os pecados, que já não são imputados ao pecador. Certamente é o sacerdote quem absolve, mas o sacerdote é simples instrumento ministerial da virtude redentora que emana de Cristo ressuscitado. E a humanidade de Cristo, morto na cruz e ressuscitado, ensina Santo Tomás, opera por sua vez como ministro principal de Deus, o único que pode perdoar os pecados, porque é o único de quem procede o Espírito Santo e, portanto, a graça santificante (Santo Tomás de Aquino, Summa Theologiae, III, 62, 1; 64, 1.3).
É Jesus, portanto, enquanto homem ressuscitado, que, pela força da sua morte na cruz, vitoriosa sobre o pecado e sobre a nossa morte, toma, pelo batismo e pela moção divina do Espírito Santo, o pecador por dentro e o transforma de pecador em penitente. Assim, pela absolvição, santifica-o e o reintroduz na comunhão do seu corpo místico, que é a Igreja.
É Santo Tomás de Aquino quem ensina tudo isto com verdade. E, neste sentido, dizia eu que Jesus nos ajuda a reconciliar-nos com Deus: ajuda-nos transformando-nos por dentro na vida nova de verdadeiros amigos de Deus.
Disse que, no Calvário, enquanto Cristo reconciliava com Deus o ladrão penitente, estava presente Maria. Passivamente? A reta teologia diz-nos que ela estava em absoluta sintonia com o amor do Filho pela humanidade. E o amor, naquela hora, levava Jesus a aceitar a morte que lhe infligiam, não passivamente, mas tomando-a para transformá-la em morte do pecado e da própria morte do homem, e assim reconciliar com Deus a humanidade inteira. É claro que o amor de Maria pelo seu Filho sofria, e, ao mesmo tempo, aceitava a morte dele com a mesma tensão do fiat dito no momento da encarnação. No fundo, na morte do Filho, sentia morrer também ela. E, com o Filho, fazia a mesma oração ao Pai: «Pai, perdoa-lhes, não sabem o que fazem».
É Santo Agostinho que vê, no amor de caridade de Maria, esta intenção de cooperação eclesial e salvífica de toda a sua vida com o Filho.
Santo Afonso assume estas palavras do célebre Nicole: «Como foi propriamente no Calvário que Jesus Cristo formou a sua Igreja, é claro que a santa Virgem cooperou de maneira excelente e singular nessa formação. Assim, ela começou, no Calvário, a ser de modo particular Mãe de toda a Igreja» (Nicole, Instruções teológicas e morais sobre a oração dominical, a saudação angélica, etc., terceira instrução, cap. 2).
E Santo Afonso conclui: «Assim, para dizer tudo em poucas palavras, Deus Santíssimo, para glorificar a Mãe do Redentor, determinou e dispôs que a grande caridade dela reze por todos aqueles por quem o seu divino Filho pagou e ofereceu o preço superabundante do seu precioso sangue, no qual somente está a nossa salvação, vida e ressurreição» (Santo Afonso de Ligório, As glórias de Maria, “Advertência ao leitor”).
Abrir-nos a Cristo com Maria, para ir ao encontro de Deus, não é acrescentar um caminho paralelo ao único Mediador, mas entrar, com realismo espiritual, no modo concreto como o próprio Deus quis conduzir a história da reconciliação. A fé de Maria não é um ornamento devocional: é um modelo e, mais ainda, uma forma eclesial de acolher o kairós de Deus, o tempo pleno em que o Reino se aproxima e chama à conversão (Mc 1, 14-15). Por isso, chamar Maria bem-aventurada não basta se a bem-aventurança não se torna exigência: ouvir a Palavra, guardá-la e vivê-la, como Cristo declara ser a verdadeira grandeza dos seus discípulos, e como a própria vida de Maria confirma (Lc 11, 28; Lc 2, 19). A reconciliação começa, então, no lugar onde o Evangelho sempre a coloca: na fé obediente, que crê em Deus e crê a Deus, e que ajusta a vida à Palavra, sem converter a Palavra às nossas categorias.
Essa abertura, porém, não se realiza sem o silêncio, isto é, sem a pobreza interior que aceita ser pequena diante de Deus. O silêncio de Maria não é ausência, mas consentimento, disponibilidade, humildade sem ostentação. Ele é o espaço em que a pessoa deixa de se autopossuir para ser possuída por Deus, e assim pode receber o Cristo reconciliante. Num tempo em que a cultura dominante frequentemente empurra para uma conversão contrária à de Cristo, o silêncio mariano torna-se resistência evangélica: fidelidade sem violência, firmeza sem arrogância, perseverança sem amargura. É nessa linha que as Bem-aventuranças deixam de ser um ideal abstrato e se tornam um modo de existir: a coragem serena de permanecer honesto, fiel, simples, mesmo quando isso implica discriminação e perda de prestígio.
Mas o ponto decisivo, sem o qual tudo se dissolveria em moralismo, é este: abrir-se a Cristo exige conhecê-lo e reconhecê-lo. Só ele revela quem é Deus, porque nele as palavras e as obras são as do Pai. O Evangelho, portanto, não é apenas um texto para ler, mas o “livro” vivo em que Deus se dá a conhecer como misericórdia que reconcilia, como Pai que procura, perdoa e restitui a amizade. É por isso que a reconciliação não é só sentimento interior, mas passagem real da morte para a vida: o pecador, tocado pela presença de Cristo, aprende a dizer a oração do arrependimento e recebe a promessa da comunhão definitiva (Lc 23, 39-43). Do mesmo modo, o Ressuscitado faz da reconciliação o primeiro gesto pascal para a Igreja, comunicando o Espírito Santo e confiando-lhe o ministério do perdão (Jo 20, 21-23): o perdão não é um ato humano isolado, mas uma ação do Cristo ressuscitado que, por dentro, recria o coração e reintegra o fiel na comunhão do seu Corpo, a Igreja.
Nesse horizonte, compreende-se por que a caridade de Maria, unida à caridade do Filho, não é uma presença passiva no Calvário. Ela é sintonia plena com o amor redentor, consentimento materno à oblação do Filho e, por isso, cooperação eclesial: ali, onde Cristo forma a Igreja, Maria entra, de modo singular, na maternidade espiritual do povo reconciliado. Assim, a abertura mariana ao Cristo não termina numa experiência privada, mas desemboca numa realidade comunitária e missionária: tornar-se povo novo, isto é, Igreja para o mundo. E o Magnificat, então, deixa de ser apenas cântico e torna-se programa: proclamar, com a vida, que Deus derruba os ídolos do orgulho e ergue os pequenos, fazendo da pobreza acolhida o lugar onde a reconciliação começa a gerar história nova.
Em suma, a reconciliação com Deus, em Cristo, pede de nós o que brilhou primeiro em Maria: fé que se abandona, silêncio que acolhe, conhecimento vivo de Jesus, e caridade que se oferece. Quem entra nesse caminho descobre que a reconciliação não é só retorno ao passado, mas nascimento para o futuro: vida nova no Espírito, comunhão eclesial, e coragem de viver, no meio do mundo, como verdadeiro amigo de Deus.
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