Maria, junto à cruz, é a «Mulher» forte da Escritura, que contempla o seu Filho flagelado e crucificado. «Junto à cruz de Jesus estavam de pé sua mãe, a irmã de sua mãe, Maria de Cléofas e Maria Madalena. Jesus, então, vendo a mãe e, junto dela, o discípulo que ele amava, disse à mãe: “Mulher, eis o teu filho!”. Depois disse ao discípulo: “Eis a tua mãe!”» (Jo 19, 25-27). Maria torna-se Mãe dos homens pela sua participação no sacrifício do Calvário, e é no momento mais dramático da vida do Filho que lhe é manifestada a sua maternidade espiritual. A sua presença junto à cruz representa o ponto culminante da sua associação à missão salvífica de Cristo. Os seus sofrimentos, oferecidos em união com o Filho Redentor, constituíram o ato mais importante da sua maternidade espiritual. «Maria contemplava as feridas do Filho, enquanto todos fugiam. Ela permanecia intrépida. O Filho pendia na cruz, a Mãe oferecia-se aos perseguidores», (Santo Agostinho, De institutione virginum, Patrologia Latina 16, 318).
Cristo morre e a sua missão está cumprida, mas a missão de Maria começa a partir de agora. Na regeneração da humanidade, ela é a nova Eva, portanto, a Mãe dos redimidos por íntima associação com Cristo. Como tal, a sua missão abraça, como filhos, todos aqueles que a graça divina associa a Cristo. Esta nova missão de Maria é necessária para a completude da redenção: é a fonte da função de Maria em relação à Igreja e do culto prestado a Maria.
Hilário de Poitiers (m. 367) fala da Desolada, a quem o Filho quis dar, sob a cruz, o conforto de um outro filho na pessoa do apóstolo João: «O Senhor disse a ambos: “Mulher, eis o teu filho!”, e a João: “Eis a tua mãe!”, a fim de garantir, na pessoa do discípulo, o amor de um filho para conforto da mãe desolada» (Hilário de Poitiers, Comentário ao Evangelho de Mateus 1, 4). Santo Anselmo de Aosta (1033-1109), em diversas obras, apresenta-nos Maria sofredora: «Ó minha Senhora misericordiosíssima, que lágrimas direi que correram pelo teu piedosíssimo rosto, enquanto vias o teu Filho Deus estendido, sem culpa, sobre a cruz?» (Santo Anselmo de Aosta, Oratio XV ad Christum).
A partir do século XI desenvolve-se a devoção à Senhora das Dores, que será invocada com títulos como Desolada, Virgem das sete dores, Piedade, Soledad (Espanha), Vesperbild (Alemanha). Desenvolvem-se orações e práticas, em particular a Via Matris, na qual se procura unir as dores de Jesus às de Maria, para se ter uma imagem mais clara da Virgem Corredentora. Com o Sínodo de Colónia, em 1423 (Festa da Compaixão), estabelece-se o culto público da Senhora das Dores, em oposição à heresia dos hussitas, que destruíam as imagens de Maria sofredora. Bento XIII, em 1727, fixava essa memória na sexta-feira da semana da Paixão. Depois da última reforma litúrgica, encontramos a celebração de Nossa Senhora das Dores em 15 de setembro, logo após a Exaltação da Santa Cruz, celebrada no dia 14 do mesmo mês. Em diversos lugares, há uma celebração particular de Nossa Senhora das Dores na manhã do Sábado Santo.
Hoje, mais do que nunca, a figura da Senhora das Dores é atual. Muitas são as mulheres que sofreram a experiência da escravidão, do rapto, da violência, mães que viram os seus filhos sob a cruz da violência humana, vítimas do terrorismo e do ódio. A atitude interior de cada fiel, no caminho quaresmal, deve ser de participação, como Maria, na obra libertadora de Cristo, para estar com ele na via do Calvário que conduz à Luz. Per crucem ad lucem. Cultivar hoje uma devoção particular à Senhora das Dores torna-se especialmente atual neste tempo carregado de egoísmo, guerras, violências e sofrimentos. Toda a dor do mundo passa pela Mater dolorosa, que incessantemente reza por nós.
Em 13 de outubro de 1917, a Senhora apresentou-se como Nossa Senhora do Rosário a Lúcia, Francisco e Jacinta, os três pastorinhos de Fátima. Mas já em 13 de junho de 1917 tinha dito a Lúcia que ela viveria mais tempo do que Francisco e Jacinta, porque «Jesus quer servir-se de ti para me dar a conhecer e amar. Ele quer estabelecer no mundo a devoção ao meu Coração Imaculado. A quem a aceitar, prometerei a salvação, e essas almas serão amadas por Deus como flores colocadas por mim para ornamentar o seu trono». Lúcia perturbou-se e Maria acrescentou: «Não desanimes, eu nunca te deixarei. O meu Coração Imaculado será o teu refúgio e o caminho que te conduzirá até Deus». Recorda Lúcia: «Diante da palma da mão direita de Nossa Senhora havia um coração coroado de espinhos que pareciam cravados nele. Compreendemos que era o Coração Imaculado de Maria, ultrajado pelos pecados da humanidade, que pedia reparação».
Fala-se do Coração Imaculado de Maria sem acrescentar «doloroso», porque a representação gráfica mostra claramente que se trata do Coração Doloroso: o coração, símbolo do amor, não traz apenas a chama, que indica a intensidade do amor de Maria por nós, mas também os espinhos, que significam claramente o sofrimento do Coração de Maria. Os devotos do Coração de Jesus, segundo a apresentação feita por Santa Margarida Maria Alacoque, sabem que os espinhos em torno do Coração de Jesus indicam que Jesus ama, mas não é amado de volta; por isso sofre e pede um amor mais intenso, para repararmos o tempo em que não o amamos como devíamos e também por aqueles que não o amam como deveriam.
Este modo de apresentar o Coração Doloroso de Maria é novo, porque até então Maria das Dores era representada com um coração transpassado por uma ou sete espadas, para recordar as dores passadas de Maria (as sete dores, ou a espada profetizada por Simeão em Lc 2,35), ou, mais simplesmente, com um coração coroado de rosas, que obviamente supõe a presença de espinhos.
Santo Afonso escreve: «Refere Pelbarto ter sido revelado a Santa Isabel que São João Evangelista, depois de a Virgem ter sido assunta ao céu, desejava revê-la. Obteve essa graça: apareceu-lhe a sua querida Mãe e, com ela, também Jesus Cristo. E entendeu depois que Maria pediu ao Filho alguma graça especial para os devotos de suas dores, e que Jesus lhe prometeu, para eles, quatro graças principais: que quem invoca a divina Mãe por suas dores, antes da morte merecerá fazer verdadeira penitência de todos os seus pecados; que ele guardará esses devotos nas tribulações em que se encontram, especialmente no tempo da morte; que imprimirá neles a memória da sua paixão e que, no céu, lhes dará o prêmio; que tais devotos ele porá nas mãos de Maria, para que ela disponha deles segundo o seu agrado e lhes obtenha todas as graças que quiser», (Santo Afonso de Ligório, As glórias de Maria, Discurso IX, «As dores de Maria»). E o mesmo Santo Afonso conclui contando a conversão e a salvação de um grande pecador, que se salvou precisamente por sua devoção às dores de Maria (Santo Afonso de Ligório, As glórias de Maria, Discurso IX, «As dores de Maria»).
Atribui-se a Santa Brígida, grande devota da Paixão de Jesus e da Compaixão de Maria, a revelação dos sete momentos mais particularmente dolorosos da vida de Nossa Senhora:
Ainda Santa Brígida, nas suas revelações, aprovadas pela Igreja, afirma que Nossa Senhora lhe prometeu conceder sete graças a quem recita todos os dias sete Ave-Marias em honra das suas Dores ou Lágrimas:
Acrescentemos também a promessa feita por Nossa Senhora a Irmã Lúcia de Fátima em 10 de dezembro de 1925: «Olha, minha filha, o meu Coração coroado de espinhos, que os homens ingratos me cravam a todo momento com blasfémias e ingratidões. Tu, ao menos, procura consolar-me, e diz que prometo assistir, na hora da morte, com todas as graças necessárias à salvação, todos aqueles que, no primeiro sábado de cinco meses consecutivos, se confessarem, receberem a santa Comunhão, rezarem o terço e me fizerem companhia por um quarto de hora, meditando os quinze mistérios do Rosário, com a intenção de me oferecer reparação».
Por que tantas promessas, nas revelações privadas, para incentivar os fiéis a honrar as dores da Mãe de Jesus e nossa? Jesus ama Maria porque ela é sua Mãe. Sabe quanto ela sofreu em união com ele pela nossa salvação. Fomos salvos do inferno pela dolorosíssima Paixão de Jesus e pela dolorosíssima Compaixão de Nossa Senhora. Tudo o que Jesus sofria no corpo e no coração, Maria o sofreu no seu coração, e podemos até pensar que o padeceu também no seu corpo, por um fenómeno místico (que a ciência mística constatou em algumas almas privilegiadas), em razão da intensidade do amor de Maria por Jesus e da total identificação que há entre Maria e Jesus graças ao amor. Jesus é o nosso Redentor pela sua Paixão. Maria é a nossa Corredentora pela sua Compaixão com Jesus. Assim como honramos a Paixão redentora de Jesus, devemos sentir o dever de gratidão e, sobretudo, a necessidade, como filhos afetuosos, de honrar a Compaixão corredentora de Maria.
O Concílio Vaticano II ensina que Maria sofreu profundamente com o seu Unigénito, associando-se com ânimo materno ao sacrifício dele, amorosamente consentindo na imolação do Filho por ela gerado, mantendo sem hesitação, sob a cruz, o consentimento fielmente dado na Anunciação (Concílio Vaticano II, Constituição dogmática Lumen gentium 61-62). No Calvário, Maria é a Serva do Senhor (Lc 1,38-48), ícone perfeito do serviço (Is 53), o Cordeiro de Deus (Jo 1, 29-36). Um cordeiro servo, paciente e forte na dor (At 8, 32), «sem mancha e sem defeito», porque inocente e perfeito é o seu sacrifício (1Pd 1, 19), que expia e tira o pecado do mundo (Jo 1, 29-36). Ao Filho, o Pai, no poder do Espírito Santo, dá uma «companheira generosa e humilde serva», toda consentimento, aceitação, dependência e despojamento amoroso. Maria, a socia Christi, não é apenas um «sim» à Palavra de Deus, mas participação no destino de morte e de glória do Filho. De fato, aos pés da cruz realizou-se, ao mesmo tempo, a sua cooperação materna em toda a missão do Salvador, por suas ações e por seus sofrimentos (Lumen gentium 61).
Por esta extraordinária e formidável «cooperação materna», Maria, humilde Serva do Senhor, assume de modo surpreendente os traços do Servo de Deus, o Cordeiro sem mancha escolhido para levar a termo as maravilhas anunciadas pelos profetas. «Junto à cruz», Maria é a Serva Cordeira que gerou o Cordeiro para o sacrifício. A aventura da jovem de Nazaré, iniciada com o mistério da Anunciação, desdobra-se misteriosamente ao longo da vida pública do Filho e atinge o ápice no Calvário, aos pés da cruz: «A dor da Mãe de Deus é grande como o mar; ela está nele imersa, mas é uma dor contida: ela segura firmemente o coração com a mão para que não se quebre. A verdadeira morte aparece de modo quase assustador na boca entreaberta do Salvador. Mas a sua cabeça voltada para a Mãe, como para consolá-la, e a cruz é toda luz: o madeiro da cruz tornou-se luz de Cristo» (E. Stein).
A Cordeira, associada à imolação do Cordeiro, ícone da Igreja esposa, sofre, na própria compaixão, a paixão do Filho, dando àquela imolação o consentimento do seu amor materno. Junto à cruz, a Virgem santa coopera para a salvação; é a Virgem oferente, crucificada no coração por estar indissoluvelmente ligada ao Filho crucificado. No Calvário, a união da Mãe com o Filho consuma-se num mar de dor e de caridade ao mesmo tempo. Ambos, o Cordeiro e a Cordeira, oferecem um só holocausto: «Havia então uma só vontade de Cristo e de Maria, e ambos ofereciam juntos um só holocausto: ela, no sangue do seu coração; ele, no sangue da sua carne» (A. de Chartres).
Inevitavelmente, o título de Cordeira remete ao não menos sugestivo e carregado de evocações bíblicas título de nova Eva, em razão da sua especial cooperação para a salvação. Maria é associada a Cristo na obra da salvação, como Eva foi companheira de Adão na obra da morte. A liturgia proclama Maria: «A Virgem cooperadora e ministra do novo pacto de salvação que oferece o Cordeiro sem mancha» (Missas da Bem-aventurada Virgem Maria). Maria, portanto, é a nova Eva, a Virgem que recapitula a prova, vivendo até ao extremo a vocação de Mãe Virgem, num mundo ferido e seduzido pelo maligno: a Mulher forte, aberta à Palavra, vivendo até ao extremo a vocação de Mãe Virgem fecunda, ícone do amor materno de Deus, que transcende todo amor.
No Calvário, a Cordeira recebe em dom do Cordeiro o Espírito Santo (At 19, 26) e a humanidade de João, «o discípulo que ele amava» (Jo 19, 26). O título de Cordeira revela ainda o íntimo vínculo de Maria com a Igreja (Lumen gentium 63), de tal modo que se fala de «percursos entre Maria e a Igreja, de modo que cada uma das duas só pode ser conhecida na outra e com a outra». A Igreja, de fato, como Maria, é chamada a partilhar o destino do Esposo Cordeiro, crucificado e ressuscitado. Maria, no Calvário, enfim, é a cordeira muda, presença contemplativa, mais eloquente do que as palavras, consumida pelas chamas do Espírito Santo num holocausto interior: ela é o «arbusto ardente», presença levada nela a tal grau de incandescência que se identifica totalmente com a morte do seu Filho.
O que diz a Virgem, em lágrimas, a cada um de nós? Ela chora porque não reconhecemos a vinda do Filho, porque ainda não o acolhemos como nosso Senhor. Maria sofre pelo pecado da indiferença, pelas infinitas formas de paganismo que nos afastam do amor do Filho. Já não temos coração contrito e humilhado. Nas famílias, como nas paróquias, enfraqueceu o «sentir-se» pecador. E, enquanto Deus sofre pelas ofensas das nossas infidelidades quotidianas, nós nos empenhamos em adormecer e domesticar a consciência do pecado. Contudo, não se torna santo quem não é marcado pela ferida da espada que traspassou o Coração de Jesus e de Maria. Aprendamos a chorar pelos nossos pecados, a ter sofrimento na alma quando estamos contra Deus. O primeiro compromisso de uma conversão autêntica é reabrir a ferida do coração e as lágrimas dos olhos, porque estamos longe do amor.
Aos pés da Senhora das Dores é espontâneo refletir sobre o pranto de Jesus. Por quê? Ajoelhar-se diante da Virgem da dor é perceber um impulso do coração que mergulha nas lágrimas de Cristo. Ele, ainda hoje, como na Jerusalém de então, diz: «Hão de derrubar-te a ti e aos teus filhos dentro de ti; não deixarão em ti pedra sobre pedra, porque não reconheceste o tempo em que foste visitada». Jesus chora e revela a sua paixão por nós. Entristecido pelo mal que cometemos, usa misericórdia sem ameaças nem castigos. Ele semeia entre lágrimas, mas não sem júbilo. Dando a sua vida, colhe o nosso amor (cf. Sl 126).
Maria participa do pranto do Semeador. E se o Filho sofre pelo pecado do homem, ela não pode deixar de ser solidária no corpo e no espírito. O ícone mais incisivo desta solidariedade divina é o Senhor crucificado, diante do qual Maria se deixa envolver por um eterno «sim» à vontade do Pai. E a voz do alto exclama: «Eis a tua mãe». Nesta afirmação harmonizam-se o pranto de Jesus e o da Mãe, o pranto de Maria com o da humanidade. A partir daquela hora de cruz e de glória, a Virgem vive os mesmos sentimentos de Cristo; é a Mãe daquele que se fez dor por nós na cruz.
Contemplar a dor de Maria não é deter-se num episódio emocional da história da salvação, mas entrar no ponto em que a redenção revela a sua densidade humana e, ao mesmo tempo, o seu alcance sobrenatural. Aos pés da Cruz, a maternidade de Maria atinge a sua forma mais alta: não apenas a maternidade segundo a carne, mas a maternidade segundo o desígnio do Pai, manifestada no dom do Filho ao discípulo e do discípulo à Mãe (Jo 19, 25-27). Nesse instante, a participação de Maria no sacrifício do Calvário torna-se a sua missão permanente: gerar, na ordem da graça, aqueles que são associados a Cristo. A Cruz é o término da missão terrena do Filho, mas é também o início da missão materna de Maria para a Igreja.
Por isso, a tradição cristã, desde os Padres até a maturação das formas devocionais no Ocidente, reconheceu na Senhora das Dores não uma devoção lateral, mas uma via de inteligência espiritual do mistério pascal. A “Desolata” não é apenas um título poético: exprime a solidão real de quem permanece quando todos fogem, a fortaleza da Mulher fiel, e a compaixão que participa do sofrimento do Redentor sem o substituir. A dor oferecida em união com Cristo não se reduz a uma narrativa de perdas, mas torna-se ato, oblação interior, consentimento amoroso. Assim, a presença silenciosa de Maria junto ao Crucificado configura-se como o ápice da sua associação à missão salvadora e, por isso mesmo, como fonte viva do seu vínculo com a Igreja.
A espiritualidade do Coração Imaculado, tal como se delineia na consciência eclesial, deixa ver que o amor materno de Maria não é apenas ternura, mas amor ferido: as “espinhas” indicam um amor que sofre por não ser acolhido, e que pede reparação não por ressentimento, mas por caridade. Aqui a devoção não é fuga do real, mas educação do coração: aprender a responder ao amor com amor, e a transformar a indiferença em conversão. Por esse motivo, as promessas ligadas às práticas de piedade, quando compreendidas com sobriedade, devem ser lidas como pedagogia espiritual: não um atalho mágico, mas um chamado a entrar no dinamismo da penitência, da fidelidade e da comunhão com Cristo.
Na imagem de Maria como Serva e Cordeira, a teologia alcança uma síntese de grande força: a Mãe, unida ao Cordeiro, participa na oblação com o consentimento do amor, tornando-se figura da Igreja esposa, chamada a partilhar o destino do Esposo crucificado e ressuscitado. A nova Eva não repete um passado idealizado: ela recapitula, na prova e no sofrimento, a fidelidade que abre o caminho da vida. E assim a dor de Maria, longe de se fechar sobre si mesma, abre-se para a fecundidade: gera esperança, sustenta a perseverança, e ensina que a salvação não elimina a cruz, mas a transfigura.
Finalmente, o pranto de Maria, unido ao pranto de Jesus, devolve ao fiel uma verdade que o nosso tempo tende a anestesiar: a gravidade do pecado e a seriedade da conversão. A Senhora das Dores não chora para nos paralisar, mas para despertar a consciência, reabrir o coração contrito e conduzir à luz. Per crucem ad lucem: não como lema retórico, mas como forma concreta do caminho cristão. A devoção à Mater dolorosa, quando vivida na Igreja e orientada ao centro pascal, torna-se escola de misericórdia, de solidariedade com os que sofrem, e de fidelidade ao amor que salva. Assim, toda a dor do mundo, atravessada pela oração da Mãe, pode tornar-se lugar de encontro com Cristo, onde o Calvário se abre para a aurora da ressurreição.
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