Paulo III e as festas marianas do breviário de Quiñones — hinos a Maria (Doctrina pontifical IV, nn. 152-160)

Paulo III (1534-1549) é o papa que convocou o Concílio de Trento, mas é também o papa que aprovou as festas marianas do Breviário de Quinhones, uma das maiores reformas litúrgicas dos séculos pré-tridentinos. Os seus documentos marianos (nn. 152-160) cobrem estas festas e três belos Hinos a Maria compostos para o Breviário.

ColecçãoDoctrina Pontificia IV: Documentos Marianos, nn. 152-160
PapasLeão X (1513-1521) | Adriano VI (1522-1523) | Clemente VII (1523-1534) | Paulo III (1534-1549)
Período1520-1536
TemaFestas marianas no Breviário; Hinos a Maria

Leão X (1513-1521), nn. 149-150: “Pastoris aeterni”

A Bula Pastoris aeterni (6 outubro 1520) de Leão X, o papa da excomunhão de Lutero, contém dois números marianos sobre a devoção a Maria e as confrarias marianas em Portugal. É notável que, no mesmo ano em que o papa enfrentou a Reforma, ele reafirmou a devoção mariana como elemento irrenunciável da fé cristã.

Adriano VI (1522-1523) e Clemente VII (1523-1534)

Os pontificados brevíssimos de Adriano VI (o último papa não-italiano antes de João Paulo II) e Clemente VII (o papa do Saco de Roma, 1527) não produziram documentos marianos específicos listados com número próprio na Doctrina Pontificia IV, mas ambos confirmaram a devoção mariana como ponto irrenunciável da fé católica contra as críticas protestantes.

Paulo III (1534-1549), nn. 152-160: breviário de quinhones e hinos a Maria

A Constituição Breviarium divini officii (3 julho 1536) aprova o Breviário de Francisco de Quinhones, uma reforma do ofício divino que incluía festas marianas renovadas com textos mais ricos. Os seis documentos (nn. 152-157) definem as festas marianas principais do Breviário.

Os mais belos números são os Hinos a Maria (nn. 158-160), três composições litúrgicas de grande riqueza poética aprovadas por Paulo III.

n. 158, hino I a Maria

«Ave Maris stella, / Dei Mater alma / atque semper Virgo / felix caeli porta. […] / Monstra te esse matrem, / sumat per te precem / qui pro nobis natus / tulit esse tuus»

, Salve, estrela do mar, / Mãe nutridora de Deus / e sempre Virgem / feliz porta do Céu. […] / Mostra-te Mãe, / receba por ti a prece / aquele que, nascido por nós, / quis ser teu filho.

nn. 159-160, hinos II e III a Maria

Os dois hinos complementares celebram Maria como Aurora da salvação («Aurora spei»), Rainha dos céus («Regina caelorum») e Auxiliadora dos fiéis («Auxilium christianorum»), títulos que prefiguram as invocações das Ladainhas Lauretanas.

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