Assunção de Maria (em breve)

Daniel Afonso · 28/06/2020

Um teólogo lovaniense que desempenhara um papel importante no Vaticano II como secretário da comissão doutrinária, Gérard Philips recorda, assim, a definição dogmática da Assunção de Maria: “A atenção do universo católico permaneceu fixa durante esses últimos três anos no novo dogma definido por Pio XII em 1 de novembro de 1950 no ambiente de uma solenidade extraordinariamente impressionante. Nenhuma das centenas de milhares de espectadores, atraídos por uma visão quase celestial, esquecerá essa abertura da vida após a morte em nossas humanas contingências”. Um dia memorável na história da Igreja Católica, o da definição dogmática da Assunção, de que não é justo deixar no esquecimento. Então, na presença e em comunhão com o colégio de cardeais, com 700 bispos e com a multidão de fiéis, Pio XII disse: «Como balançam as batidas de vossos corações e da emoção de vossos lábios, assim também as pedras desta basílica patriarcal vibram juntas convosco, parece que os inúmeros e antigos templos se alegram com emoções misteriosas, erguidas em todos os lugares em homenagem à Assunta”.

No entanto, esse dia não chegou despreparado. Nenhuma realidade eclesial é improvisada, porque o crescimento da Igreja na verdade pelo trabalho do Espírito é fruto de um compromisso de todos os membros do povo Deus. Os três principais fatores do desenvolvimento de dogmas são indicados do Vaticano II:

Esta tradição apostólica progride na Igreja sob a assistência do Espírito Santo. Com efeito, progride a percepção tanto das coisas como das palavras transmitidas, seja a mercê da contemplação e do estudo dos fiéis, que as meditam no seu coração (cfr. Lc 2, 19. 51), quer mercê da íntima inteligência que experimentam das coisas espirituais, quer mercê da pregação daqueles que, com a sucessão do episcopado, receberam o carisma da verdade.

Dei Verbum, 8


Isso se aplica à Imaculada Conceição, que não pode ser explicada sem a fé intuitiva das pessoas para quem o pecado e a Mãe de Deus são realidades incompatíveis, sem a contribuição esclarecedora dos teólogos – em parte Duns Scotus com seu argumento do mediador mais perfeito – e sem a contribuição do magistério, primeiro moderando e depois levando à definição dogmática de 1854.

O mesmo processo, embora de forma menos controversa e mais proativa, é encontrado na história do dogma da Assunção. Aqui também não faltam dificuldades, que no final são superadas pelo supremo Magistério da Igreja. Como tal abordaremos em primeiro lugar as convergências e as divergências que emergem com o dogma anterior da Imaculada Conceição. Passaremos depois à leitura teológica da bula do Munificentissimus Deus, esclarecendo sua estrutura e conteúdo. Por fim, tentaremos perceber o significado permanente da Assunção de Maria, também levando em consideração nos desenvolvimentos pós-conciliares.

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