Categories: Liturgia

Ave, Maria, nossa esperança

Na plenitude dos tempos, Deus enviou o seu Filho, nascido de uma mulher (cf. Gal 4, 4). Este é o ponto fundamental do desígnio divino de salvação de Deus, em favor da inteira humanidade. Deus salva os homens em Cristo, no seu eterno Filho, nascido da Virgem Maria. Aquela que é Mãe, permanecendo sempre Virgem, está, portanto, no coração do mistério divino, que une a plenitude do tempo com a sua maternidade. 

Mediante o mistério do nascimento de Deus no tempo, a sua Mãe é colocada, por Ele,  como  modelo e anunciadora da salvação.  De geração em geração, Ela, a Mulher escolhida, é memória perene de que Cristo, verdadeiro Filho de Deus e verdadeiramente seu Filho, entrou no tempo, para que todos possam receber, da sua plenitude, graça sobre graça (cf. Jo 1.16). Na verdade, o Filho do eterno Pai e Filho de Maria não deixou a humanidade à mercê da sua debilidade. Ele quis nascer da Virgem, para ser, o Caminho, a Verdade e a Vida (cf. Jo 14,6).

Por vontade de Deus, a  Virgem é testemunha dos sofrimentos e das alegrias humanas, das suas esperanças e das ameaças. Ela é a Mulher da esperança, porque acompanha sempre a humanidade, na sua caminhada no tempo. N’Ela a história foi renovada e o tempo humano tornou-se participante daquilo que não passa. E porque a Maternidade de Maria é virginal, olhar para Ela é esperar confiadamente na ação de Deus, que nunca falha e nunca desilude. 

A Salve Rainha ensina-nos  que a Mãe de misericórdia é  “vida, doçura  e esperança nossa”. Maria, que ofereceu a geração humana ao Filho de Deus, continua a oferecer Cristo, a esperança que o mundo procura. Contra as aparências e as respostas fáceis e passageiras, a Mãe ensina a verdadeira esperança, que indica a eternidade. Quem se deixa guiar pela Mãe da santa Esperança, quem faz d’Ela a sua Mestra espiritual, estará mais atento às coisas do alto. De Maria não se recebem respostas passageiras, sujeitas a modas e a sentimentos caducos. A oferta de Maria, em todos os tempos, é Cristo, que é, que era e que há-de vir (cf. Ap 11,17). A oferta de Maria, também para nós, é Cristo, que é o mesmo, ontem, hoje e por toda a eternidade (cf. Heb 13,8).

Esperança nossa, a doce Mãe será sempre caminho para a Vida plena, que é Cristo. Por isso, Ele, que entrou no nosso tempo, por obra do Espírito Santo, deu-nos a sua Mãe como luminosa estrela da esperança. E Ela não cessa de O mostrar ao mundo, como fez na noite de Belém.

P. João Paulo Quelhas

Daniel Afonso

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