A experiência do encontro com a imagem de Aparecida

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A experiência do encontro com a imagem de Nossa Senhora Aparecida é um momento privilegiado da espiritualidade mariana brasileira. Nossa Senhora Aparecida, padroeira do Brasil, encontrou-se com pescadores em 1717 através da imagem milagrosa do Rio Paraíba. Esta experiência do encontro com Nossa Senhora Aparecida transformou-se em devoção nacional e culto mariano oficial. A pequena imagem de Nossa Senhora Aparecida, encontrada nas águas do Rio Paraíba, simboliza a maternidade espiritual de Maria para o povo brasileiro.

O encontro com Maria: a experiência da imagem de Aparecida

Imagem de Nossa Senhora Aparecida, encontro com Maria

A Mariologia, para além de ser um pensamento interdisciplinar acerca de Maria na Revelação e as suas influências no pensamento dogmático e litúrgico, se dedica também ao ‘fenómeno mariano’. Certamente as aparições são as mais conhecidas, mas existem outros termos que designam de forma geral a presença de Maria: as mariofanias e as visões.

Para além destes termos, dentro do ‘fenómeno mariano’ existe um evento muito documentado e originante de vários santuários que é a inventio. A tradução deste termo não é invenção mas sim encontro. A experiência do encontro com a imagem de Aparecida é então um encontro, dadas as suas particularidades. Não querendo aqui referir a história de Aparecida de todos conhecida, gostaria apenas de colocar em perspectiva mariológica a importância de uma inventio.

Ar-condicionado da padroeira do Brasil recebe inversor de frequência

Este termo provém de Alexandre de Cipre (m. 565) que escreve a obra Inventio Crucis, que se refere à descoberta, encontro da Cruz de Cristo. É uma obra que se dedica ao louvor da cruz, recapitulando a história da criação, da religião, praticamente do mundo até aos tempos de Constantino, oferecendo uma visão da encarnação e da Trindade dirigidas à Cruz.

Para encontrarmos este termo aplicado à questão mariana será Teodoro Sincelo que no século VII escreveu a obra Inventio et depositio vestis in Blacternis, que trata da descoberta das vestes da Mãe de Deus e da sua translação de Jerusalém para a Igreja de Blacternis, outrora Constantinopla, atual Istambul na Turquia.

A partir destes dois elementos históricos, a cruz e as vestes, podemos ver como estruturalmente se indica uma realidade escondida, que por divina Providência é desvelada ao olho humano e naturalmente ou sobrenaturalmente se oferece gratuitamente. De facto, não existem relatos de uma procura de imagens de Maria mas de um encontro improviso de uma imagem. Do ponto de vista mariológico é o Deus invisível que se deixa conceber através de meios dos quais Maria é uma presença por excelência.

Permitindo-me saltar de séculos, gostaria de concluir indicando que aquele que procura Deus no tempo que vivemos, reflectido na nossa sensibilidade eclesial, deverá deixar-se tocar e quem sabe trespassar pelo Espírito Santo. Apenas Ele é que pode tornar concreta, fecunda e estável a vida de fé de todos os dias. Foi esta a experiência histórica de Maria de Nazaré (Dicionário Mariológico: Nazaré). Ao mesmo tempo, tal como Maria, procuramos continuamente o grande dom do Espírito Santo que é Cristo. Nós o procuramos e aprendemos onde encontrá-lo. Na tradição latina, Maria é conhecida por inventrix gratiae, ou seja, do verbo invenire, que nós traduzimos por encontro mas também por procura precisa. Procurar com um objectivo que é claramente a radicalidade com que o Espírito Santo ‘inundou’ a Serva do Senhor. Prefiguração de cada fiel que, aproximando-se da Mãe de Deus, se aproxima do Espírito e de Jesus Cristo para ser conduzido ao Pai.

Permitam-me terminar o nosso percurso com as palavras de São Bernardo quando diz: «Per te accessum habemus ad Filium, o benedicta inventrix gratiae, genitrix vitae, mater salutis: ut per te nos suscipiat qui per te datus est nobis» [Por ti temos acesso ao Filho, ó bendita ‘encontradora’ da graça, geradora da vida, mãe da salvação: para que nos acolha Aquele que por ti nos foi dado] (De adventu Domini, serm. 2, n. 5). O sentido da inventio de Aparecida pode encontrar nesta fórmula a sua razão de ser.

Para aprofundar o significado das imagens e do culto a Maria, consulte a exortação apostólica Marialis Cultus de Paulo VI, sobre a renovação da devoção mariana na vida cristã.

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