João Paulo II – carta sobre Banneux (1999): 50.º aniversário do reconhecimento das aparições da Virgem aos pobres
A Carta Apostólica de São João Paulo II ao Bispo Albert Houssiau de Liège (Bélgica) sobre as aparições de Nossa Senhora dos Pobres em Banneux, datada de 31 julho 1999, comemora o 50º aniversário do reconhecimento oficial das aparições pelo Bispo de Liège em 1949. As aparições de Banneux ocorreram entre 15 janeiro e 2 março 1933, a Mariette Beco. Texto no Enchiridion Vaticanum vol. 18 (1999), parágrafos 1345ss.
| Colecção | Enchiridion Vaticanum vol. 18, parágrafos 1345ss |
| Papa | São João Paulo II |
| Documento | Lettre Il y a cinquante ans au bisope de Liège |
| Data | 31 julho 1999 |
| Língua original | Francês |
| Fonte | L’Osservatore Romano 22.8.1999, p. 5 |
Contexto histórico das aparições de banneux
Banneux é uma pequena aldeia das Ardenas valonas (Bélgica), na diocese de Liège. Em 1933, Maria apareceu oito vezes a Mariette Beco, uma menina de 11 anos:
- 1ª aparição, 15 janeiro 1933: a Virgem aparece numa luz
- 2ª aparição, 18 janeiro 1933: Maria conduz Mariette a uma fonte: «Esta é a minha fonte… esta fonte é reservada para todas as nações… para aliviar os doentes»
- 4ª aparição, 19 janeiro 1933: Maria identifica-se: «Eu sou a Virgem dos Pobres»
- 5ª aparição, 11 fevereiro 1933: Maria diz: «Acreditem em mim, eu acreditarei em vós»
- 8ª aparição, 2 março 1933: última aparição
O bispo Louis-Joseph Kerkhofs reconheceu definitivamente as aparições em 22 agosto 1949, após extenso processo investigativo de 16 anos. Banneux passou a ser santuário reconhecido pela Igreja, especialmente para a oração em favor dos pobres e doentes.
Texto francês original, n. 1345
A monseigneur Albert Houssiau, évêque de Liège.
1. Há cinquenta anos, em 22 de agosto de 1949, Sua Excelência o Senhor Bispo Louis-Joseph Kerkhofs, vosso predecessor na Sé de Liège, reconhecia definitivamente a realidade das aparições da Virgem dos Pobres em Banneux. Recordando-me com emoção da Eucaristia que eu mesmo tive a alegria de celebrar durante a minha viagem apostólica na Bélgica, no mês de maio de 1985, nesse santuário cuja irradiação é importante, associo-me voluntariamente pela oração aos peregrinos que lá vão buscar o reconforto e a força junto a Nossa Senhora de Banneux, invocada sob o vocábulo de Nossa Senhora dos Pobres, saúde dos enfermos.
A Comunhão Universal com toda a Igreja dou graças ao Senhor pela missão insigne cumprida pela Mãe do Salvador e pelo exemplo de fé que ela representa para o conjunto do povo cristão, chamado como ela a seguir Cristo repetindo cada dia o seu sim, o seu fiat.
Tradução portuguesa, n. 1345
A Sua Excelência Mons. Albert Houssiau, Bispo de Liège.
1. Há cinquenta anos, em 22 de agosto de 1949, Sua Excelência o Senhor Bispo Louis-Joseph Kerkhofs, vosso predecessor na Sé de Liège, reconhecia definitivamente a realidade das aparições da Virgem dos Pobres em Banneux. Recordando-me com emoção da Eucaristia que eu mesmo tive a alegria de celebrar durante a minha viagem apostólica na Bélgica, no mês de maio de 1985, nesse santuário cuja irradiação é importante, associo-me voluntariamente pela oração aos peregrinos que lá vão buscar o reconforto e a força junto a Nossa Senhora de Banneux, invocada sob o vocábulo de Nossa Senhora dos Pobres, saúde dos enfermos.
A Comunhão Universal com toda a Igreja dou graças ao Senhor pela missão insigne cumprida pela Mãe do Salvador e pelo exemplo de fé que ela representa para o conjunto do povo cristão, chamado como ela a seguir Cristo repetindo cada dia o seu sim, o seu fiat.
n. 1346: a mensagem da paz e da solidariedade
Alguns anos antes da Segunda Guerra Mundial, em 1933, Maria apareceu em Banneux como mensageira da paz. Ela chamava, de certa forma, os protagonistas da sociedade a serem artífices da paz e educadores dos povos, convidando todo homem a cuidar de seus irmãos, dos mais pequenos, dos mais desprezados e daqueles que sofrem, todos bem-amados de Deus.
Português: Foi alguns anos antes da Segunda Guerra Mundial, em 1933, que Maria aparecia em Banneux como mensageira da paz. Ela apelava de certa maneira aos protagonistas da sociedade a fazerem-se artesãos da paz e educadores dos povos, convidando todo homem a cuidar dos seus irmãos, dos mais pequenos, dos mais desprezados e daqueles que sofrem, que são todos os predilectos de Deus.
«Vierge des pauvres», Nossa Senhora dos pobres
Diferentemente de Lourdes ou Fátima, Banneux é o santuário mariano que se identifica explicitamente como o santuário da Virgem dos Pobres. As características:
- Identificação com os pobres: «Eu sou a Virgem dos Pobres», identificação directa de Maria com a condição de pobreza
- Fonte universal: «Esta fonte é reservada para todas as nações», dimensão universalista, ecuménica
- Cura dos doentes: «Para aliviar os doentes», especial menção terapêutica
- Reciprocidade da fé: «Acreditem em mim, eu acreditarei em vós», parceria entre Maria e os fiéis
Conexão com outras aparições
Banneux faz parte da série de aparições do século XX:
- 1917 Fátima (Portugal), mensagem profética para a humanidade em guerra
- 1932-1933 Beauraing (Bélgica, perto de Banneux), Maria com Coração de Ouro
- 1933 Banneux (Bélgica), Virgem dos Pobres
- 1973 Akita (Japão), mensagem profética de oração e penitência
- 1981-1989 Kibeho (Ruanda, aprovada em 2001), aviso premonitório sobre o genocídio
JP2 e os santuários locais
O Papa João Paulo II foi o pontífice que mais valorizou os santuários marianos locais. Visitou Banneux durante a sua viagem apostólica à Bélgica em maio de 1985, e a sua Carta de 1999 mostra a contínua atenção do magistério aos santuários locais como expressões legítimas da fé popular, dentro do quadro estabelecido pela Declaração da CDF de 1974 sobre critérios de discernimento.
Leitura complementar
Aparições Marianas no Magistério | Mensagem de Fátima 2000 | Pretensas Aparições Amsterdam 1974 | Lourdes, 150 Anos
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